8 em cada 10 estudantes mineiros relatam sintomas de ansiedade e depressão, aponta pesquisa
Oito a cada dez estudantes mineiros do ensino médio da rede pública relatam sintomas de ansiedade e depressão, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (18) pelo Instituto Ayrton Senna. O levantamento faz parte da Avaliação do Futuro, um dos maiores estudos do país sobre competências socioemocionais. Cerca de 14 mil alunos do 3º ano do ensino médio foram ouvidos no Estado.
A pesquisa identificou que 44% dos estudantes se sentem esgotados ou sob forte pressão, 27% perdem o sono por causa de preocupações e quase um quarto afirma sentir dificuldade para superar desafios do dia a dia.
Os dados indicam que questões emocionais estão diretamente associadas ao desempenho escolar, especialmente em disciplinas como Lingua Portuguesa e Matemática.
De acordo com o estudo, estudantes com níveis mais elevados de autogestão - capacidade de planejar, persistir e lidar com frustrações - apresentam melhor rendimento acadêmico e vínculos mais fortes com colegas e professores. Por outro lado, fragilidades emocionais aparecem como fator de risco tanto para a aprendizagem quanto para o bem-estar.
A gerente de pesquisa do eduLab21, laboratório de ciências para a educação do Instituto Ayrton Senna, Ana Crispim, avalia que os números revelam um cenário preocupante, que vai além da sala de aula. Segundo ela, a saúde mental dos adolescentes é impactada por múltiplos fatores, como desigualdades sociais, pressões familiares, expectativas sobre o futuro e comparações nas redes sociais.
“Esses números refletem desgastes emocionais que precisam ser olhados com cuidado. A saúde mental é multifatorial — envolve relações consigo mesmo, com os outros e com o contexto em que se vive. Entre os adolescentes, essas pressões podem ter origens diversas: desafios próprios da faixa etária, vulnerabilidades contextuais, desigualdades sociais, preocupações sobre o futuro (como a proximidade do vestibular), a convivência na escola, as expectativas familiares ou sociais e as comparações nas redes sociais. Tudo isso impacta a motivação e a confiança dos estudantes em suas próprias capacidades”, explica.
O levantamento também aponta uma diferença expressiva entre meninos e meninas. Em Minas, 25% das estudantes relataram perda significativa de confiança em si mesmas, percentual muito superior ao observado entre os meninos. A pesquisa destaca ainda o papel central da escola como espaço de proteção e acolhimento.
A gerente executiva do eduLab21, Gisele Alves, reforça que os dados exigem respostas integradas do poder público. “Não há bala de prata. É preciso adotar múltiplas estratégias — pedagógicas, psicológicas e sociais — para construir respostas efetivas à crise de saúde mental entre os jovens. E isso passa por políticas intersetoriais que unam educação, saúde e assistência social”, diz. Ela também chama atenção para a saúde emocional dos próprios professores, que convivem diariamente com essas demandas dentro das escolas.
A Avaliação do Futuro foi realizada em parceria com o Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação (CAEd), da Universidade Federal de Juiz de Fora.

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